segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Eu e meu boxer branco, Sathya capítulo 3

Já se passaram 3 meses que meu querido cãozinho Sathya morreu… e agora, hoje especialmente me deixei levar pelas lembranças gostosas que ficaram mas também pelo sofrimento que passei, relendo os dois primeiros capítulos de sua história comigo e minha família.

Incrível como encontramos forças que nem sabemos que temos na hora de uma tragédia, sim por que a morte deveria ser naturalmente vivida por nós seres humanos, já que ela faz parte da vida.  Afinal, no momento em que nascemos estamos indo em direção a morte!!!

Mas não!!! Nem pensamos nisso…

Quando eu vivi a morte do Sathya entendi que a morte quando chega,  a única coisa que temos a fazer é aceita-la!!!

Estar presente na hora da morte do Sathya me ensinou o quanto será importante eu estar presente na hora de minha morte. Não teme-la mas saber que o momento chegou e desapegar desse corpo pois nosso continum mental continuará  a jornada da vida em um novo pacote.

Eu jamais esquecerei dele e sinto muitas vezes a sua presença sutil que ficou em mim.

Depois de um mês que ele partiu, minha  filha Manuela me deu de presente um pequeno Boxer branco, como ele, lindo !!!

Foi um bálsamo em nossa vida e agora ele já está crescendo e nos enchendo de alegria e diversão!!!

Quando ele, o pequeno boxer branco chegou eu não tive outra opção a não ser ama-lo e cuidar dele… muito trabalho em correr atras e ensinar onde fazer pipi ou cocô… coisinhas básicas mas que levam tempo e muita paciência. Assim… minha vida que já é corrida virou um furacão de bebê novo para criar.

Seu nome é Gompho e ele apesar de estar cada dia mais parecido fisicamente com o Sathya, tem personalidade própria marcante e bem diferente!!!

Ele tem olhinhos puxados como um oriental e no nariz sua mancha preta desenha um perfeito coração. É gentil e amoroso com todos e super simpático.

Teve o bom karma de nascer e vir para uma família que transborda de amor por ele e um irmão mais velho que é nosso golden Shanti que tem uma paciência e amor infinitos com esse filhote de boxer que adora puxar sua orelha, rabo e pular sobre ele sem parar….

O Sathya tinha uma presença silenciosa poderosa, sempre na quietude, raramente brincava de se esbaldar como o Gompho faz em alegria exuberante, ele trazia consigo, em seu olhar quase que uma tristeza inerente de vidas passada… talvez!!!

Ele tinha postura de Lord, sua graça e simpatia era para poucos e apesar de amoroso sempre foi mais contido com pessoas estranhas.

Com raras excessões!!!!

Ele cuidava da família e da casa de forma preciosa e silenciosa. Quando o Serginho se ausentava ele se transformava num guardião esperto e atento… correndo a casa toda e me buscando as vezes dentro de meu closet , just checking… olhava para mim e voava pela casa em silenciosos galopes por todos os cantos e salas, até o portão aonde latia ferozmente a qualquer movimento estranho em nossa porta.

 

Só descansava quando Serginho estava de volta… daí, ele se sentava ao nosso lado e com amor incondicional se tranquilizava!

Ele, Sathya era e será eternamente único assim como nosso pequeno Gompho também!!!

E no final, a vida contimua… com esse ainda bebê Gompho, que significa Guardião em tibetano, já nos ensinando com sua maneira de ser… destemido, corajoso ao extremo, inteligentíssimo  e um amor por todos os seres impressionante!!!

Ele adora conhecer pessoas novas e se transborda em simpatia e doçura com todos os seres sencientes!!!!

Movimenta tudo, com sua carinha linda de curiosidade… trazendo a  alegria para a casa, rejuvenescendo o Shanti e a todos nós!!!!

E esta vida só está começando para ele!!!!

Incrivel como um acontecimento como esse nos chacoalha e nos faz olhar para tudo de forma nova!!

Hoje, sei que vou morrer e que as pessoas que mais amo também… então,  isso me faz pensar  profundamente e assim, me sinto mais  amorosa com tudo e todos, aproveitando  mais a presença de quem amamos e regozijando  mais por tudo que tenho e que me acontece de bom, além de nutrir compaixão e perdão para o que antes me irritavam.

Mas também uma pressa enorme  em fazer tudo que sei que tenho a fazer antes de morrer…

Com meu amor de sempre, Neza

 

Sathya cuidava de mim em tudo, até nas entrevistas para TV, jornais e revistas!

Descansando no meio do mato... provavelmente esperando por nós!!!!

Com o Shanti no sítio do Ernesto, nosso primo querido que me ensinou a amar o que é simples com estilo!!!!

Em momento de diversão e alegria com o companheiro Shanti nas montanhas da Mantiqueira.

Cuidando do irmão da vida, Shanti que ama uma corredeira gelada e o único lugar que o Shathya ficava de olho mas não entrava com facilidade. Embora em nossas últimas ferias de verão nas montanhas ele finalmente relaxou em relação a agua gelada e era o primeiro a entrar!!!!

Na pracinha de cachorros no Morumbi que ele amava ir nos findes que ficávamos em S.P com o Serginho e o Shanti. Amava os cachorrinhos pequenos para brincar!!!!

Ele e seus amigos pequeninos da pracinha!!!

Ele também cuidava do Serginho e ficava no estúdio enquanto o Sergio fotografava....

Ele se sentia muito bem entre almofadas de seda ou veludo. Eu disse, um Lord!!!

Sem Palavras...

Passeio pelas montanhas com o Serginho e o amigo Zé Guilherme... eles de bike e o Sathya e o Shanti acompanharam no sobe e desce das montanhas por 4 horas!!!! Chegou e correu para meu colo. Ele conseguia ser o mais forte dos moleques quando estava com o Sergio e o mais frágil dos bebês quando corria para mim... hahahahah

Que saudades que tenho desses momentos...

Sem Palavras...

Na nossa casinha nas montanhas!!!! Logo no começo, quando começamos a viver grande parte de nossa vida por lá... nas montanhas!!!

Com o Serginho... indo para Pic Nic nas corredeiras, todos nós juntos!

Na nossa casinha nas montanhas, cuidando de mim!!!!

Adoro essa foto!!!!

No Atelier, comigo enquanto a gente filmava para Casa e Jardim!!!!

Amava se enrolar na cortina da sala de trabalho do Serginho e curiosamente o Gompho faz a mesma coisa....

No Viva México, restaurante predileto da família toda, incluindo os peludos!!! Manu e eu com o Sathya a nossos pés na calçada!!!!

Sempre ao meu lado... em São Francisco Xavier, em noite de Lual, enquanto eu postava no meu blog!!!!

De olho no peru de thanks Giving!!!

Em Momento de Alegria exuberante!!!!

 

Momento saudades... do meu filho Antonio que mora em Los Angeles e de nós três juntos!!!! Momento Único!!!!

 

Sergio e Sathya em jantar em casa depois dele ter sido beijado por todas as mulheres... heheheheh

 

Ele amava ser tratado pelo Serginho mesmo na hora de cortar as unhas... que ele odiava... hehehheh, olha só a carrinha dele!!!!

Cuidando da Manuzinha enquanto ela fazia seu trabalho de TCC.

Ele e a Manu... em nossa casa em SP !!!

Durante foto para Casa Cláudia... na nossa casa de S.P!!!!

Na nossa cama em SFX na nossa casinha nas montanhas!!!!

Com o Serginho se preparando para dar banho nos dogs... em SFX nas montanhas.

Em SFX na nossa casinha nas montanhas... final de tarde feliz com direito a arco-íris. Olha só como ele parou para contemplar!!!!!

No sofa da minha sala de trabalho... visão perfeita enquanto eu projetava!!!

 

Sathya, da mata sempre a espreita cuidando de todos...

 

Gompho, por enquanto explorando a mata (Jim das selvas!!) tudo é novidade...

 

 

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sábado, 21 de junho de 2014

Eu e meu boxer branco Sathya- capítulo 2

Quando acabou o almo-jantar de dia das mães, Manuela se foi e ficamos só nós, Sergio eu e os dois dogs… Sathya e Shanti!!!

Sathya continuava deitadinho no pufão do sofázinho e nós colocamos um filme para assistir… ele ficou ali aos nossos pés e para dizer a verdade nem sei por que fiquei ali assistindo aquele filme, que era lindo mas eu estava aérea… uma tristeza inexplicável  havia voltado para meu coração e um peso enorme tomou conta do espaço.

Terminamos de assistir o filme e fui para nossa sala de meditação com coração apertado e pedi ao Serginho que trouxesse o Sathya para junto de mim pois ele estava dormindo e senti que havia piorado… parecia triste e muito caído.

Sergio o colocou ao meu lado sobre almofadas e eu fiz uma longa reza, em voz alta, para que ele pudesse se beneficiar.

Horas depois subimos para nosso quarto e o acomodamos em  sua poltrona, hora de dormir… e percebi que ele estava agitado então puxei a grande poltrona para junto dos pés de nossa cama.

Foi sua ultima noite conosco que não dormiu quase nada e nem eu, ora o acariciando, ora o abraçando… ora dando gelinho para ele lamber e saciar a sede.

Quando despertador tocou as 6 da manhã,  eu não tinha dormido nada então me arrumei e saí para uma visita a duas casas de um antigo cliente que havia marcado para as 8hrs da manhã e o deixei com o Serginho. Saí… meu coração partido!

Voltei para casa as 10hrs  da manhã e o encontrei deitadinho num colchãozinho florido aos pés da mesa de trabalho do Sergio, coberto por uma manta azul claro completamente sem energia então ligamos para o Dr Aluisio que nos instruiu para leva-lo para uma clínica tomar soro e assim se fortalecer e no dia seguinte leva-lo até ele para que pudesse avaliar o tratamento.

Ligamos para clínica e como a veterinária estava fora só conseguimos marcar para as 13hrs!!!! Ainda eram umas 10:30hr e eu também estava um caquinho, assim… pedi ao Elias, nosso motorista e pessoa de confiança da família de muitos anos e que amava o Sathya de verdade,  que o carregasse no colo até o sofá do living.

Ali, juntinho dele, eu me deitei e abraçados nós dois dormimos até a hora em que o Serginho nos acordou dizendo que já era bom sairmos para a clínica!

Enquanto saíamos de carro, com ele e eu no banco de trás, da garagem para nosso ultimo passeio com ele, Elias levava o Shanti para passear pelo bairro…  e pude ver a cena de nosso carro virando a esquina… e o Shanti olhando pra trás parecendo entender que nunca mais o veria.

Depois o Elias nos contou que o Shanti fez todo o passeio de cabeça baixa e sem latir.

Sahtya parecia bem, apesar de fraco estava sonolento mas tranquilo e dormia enquanto eu o afagava,  quando me distraí conversando com o Sergio sobre o caminho e de repente ouvimos um sofrido, longo e profundo uivo que parecia surreal …mas era real!!!!

Assim… ficamos atônitos e muito angustiados num transito parado a caminho da clînica que nosso veterinário nos indicou na Vila Mariana!!!

Chegamos lá com Sathya completamente largado e sem forças, Serginho o carregou no colo e o colocou numa maca prateada, fria… enquanto eu o cobria com a manta azul . Estávamos ali com coração em pedaços em busca de ajuda, desesperados… e enquanto na nossa frente,  esperávamos a veterinária falar com cliente novo ao telefone , eu pensava… como a vida se passa entre um cliente novo e outro antigo … de ganhar dinheiro… e de o quanto somos tolos.

Finalmente ela se libertou daquele telefonema frívolo, olhando para o Sathya e para nós dois. Foi extremamente gentil e humana!

Colocou o soro no Sathya e uma agulha de acupuntura na sua testa para que ele pudesse relaxar pois estava sofrendo muito.

Depois disso…

Conversamos sobre o estado dele e ela saiu por algum tempo, acho que por  pouco tempo e voltou com aparelho de ouvir coração e pulmão… estetoscópio!

Em seguida ficou ansiosa e muitíssimo preocupada dizendo que o estado dele era muito grave e que ali na sua clínica, ela só tinha medicamentos de homeopatia e naquele caso precisaríamos de medicamentos mais fortes!!!

Ficamos atordoados e ela nos disse que tinha uma clínica vizinha, de dois amigos, excelentes veterinários que era mais capacitada em aparelhagens para um caso grave como o do Sathya.

Enfim, ligou para eles e saímos de lá como baratas tontas ao encontro da tal clínica.

Nesse trajeto que era supostamente vizinho e que poderíamos ir a pé… o Serginho no desespero se perdeu e ficamos rodando pela redondeza enquanto no banco de trás eu passei pelos piores momentos de minha vida e do Sathya.

Explico:  no trajeto,  Sahtya teve muitas convulsões, seguidas… uma após a outra, violentas e eu o segurava como podia.

Foram horríveis pois ele se transfigurava literalmente,  torcendo a boca, levantando os lábios e mostrando os dentes, gemendo de dor e desespero enquanto eu gritava para o Sergio ainda perdido no transito e no caminho, que o estávamos perdendo até que veio a última convulsão no carro, aterrorizante… depois de se torcer como nas outras ele… com a sua língua de fora também torcida, virou os olhos, esticou as pernas e soltou sua cabeça para trás, tudo numa fração de segundos! (entendi que era a convulsão de nível 5, aquela que é a mais forte de todas)

Depois dela, por um momento,  achei que ele havia morrido mas não, ele voltou a me olhar, exausto!!!  estava vivo!

Chegamos a clínica nesse estado e enquanto 0 Sergio tirava o Sathya do carro eu tive uma catarse!!!!

Chorei desesperadamente por alguns minutos abraçada ao banco do motorista até que me recompus e corri ao encontro deles…

Subi para uma espécie de sala de emergência onde encontrei meu cãozinho deitado sobre uma maca prateada e fria com oxigênio e soro já nele acompanhado por dois veterinários experientes e dedicados mas assustados pois nem sequer conheciam o paciente e seu histórico.

Olhei para o Serginho e só via dor e desespero… andando de um lado para o outro!!!

Não havia mais nada a fazer, um dos médicos me deu o estetoscópio para que eu pudesse ouvir sua respiraçãozinha frágil, como uma vela se apagando…

Nesse momento os dois doutores ainda lutavam querendo colocar no soro, Gardenal e ou um tranquilizante para que ele não sentisse dor mas daí o Sergio perguntou se isso tiraria a consciência dele e eles disseram que sim então… nós decidimos que não!!! nada faríamos…

Pois pela nossa filosofia de vida na hora da morte é melhor que estejamos presentes e conscientes então… depois de tirar o oxigênio do narizinho dele, os dois veterinários saíram da sala com respeito a nossa dor, apagando a luz fria e nos deixando somente com a luz suave da janela.

Assim, entoando os mantras que acreditamos ajudar na passagem… ele se foi.

Para sempre!!! Tranquilo e cheio de amor.

Acredito que se eu não tivesse passado pelo que passei no carro com ele,  eu jamais teria tido tanta  certeza e força para aceitar !

Aceitar sua partida, saber  que sua hora chegara .

Ele partiu com apenas aquele sofrimento. Acabou essa vida.

Como acredito em renascimento, sabia que havíamos feito tudo para que ele tivesse um bom renascimento e naquele momento tive a minha primeira experiência de literalmente ver a morte de muito perto e isso, apesar da dor, mudou minha vida, para melhor!

A morte existe, mesmo sabendo disso, ve-la levando de forma fugáz e inesperada alguém que amamos e convivemos diariamente por 10 anos é doloroso mas nos dá consciência que ela faz parte da vida e pode chegar a qualquer momento, para qualquer um de nós.

É na tragédia e não no drama que a transformação acontece!

Ainda fiquei com ele numa sala que me transferiram `a espera da empresa que contratamos para leva-lo para ser cremado.

Nem sei por quanto tempo… mas sei que foram algumas horas que se passaram rapidamente enquanto eu me despedia dele.

Parei de chorar por que aprendi que nesse momento é melhor ficar sereno e deixar quem faz a partida,  ir… sereno!

Arrumei seus lábios de volta , fechei seus olhinhos suavemente , o limpei com gaze para que fosse limpinho e o acariciei agradecendo todo tempo que estivemos juntos nessa vida.

Entoando mantras fui passando nossa vida juntos a limpo enquanto podia ouvir o coração da cidade pulsando.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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domingo, 15 de junho de 2014

Eu e meu boxer branco,Sathya! Capítulo 1

desenho feito pela Manu

 

No dia 12 de maio de 2014, perdi meu amado cão Sathya, um boxer branco que nos acompanhava a 10 anos em todos os minutos de nossa vida… com lealdade, amor incondicional, olhar profundo em seus olhos atentos em nos proteger de tudo!!

Sentia sua presença silenciosa que me fazia bem, havia um equilíbrio inerente que só tive a idéia da força e da sua grandiosidade mesmo, quando ele partiu.

Foi tudo muito rápido e assustador para mim e tenho certeza que para ele também pois consegui ver em seus olhos, a dor da triste certeza que iria morrer.

Vou contar em 3 capítulos. Foi assim…

 

a última viagem...

 

a estrada...

 

os viajantes companheiros...

 

Tínhamos acabado fazer uma viagem de carro com os dogs, Sathya e Shanti, para Muzambinho no Sul de Minas visitar uma amiga querida. Foi uma viagem longa em que atravessamos as montanhas em estradas lindas que cortavam ora a mantiqueira, ora a bocaina mineira. Tudo correu maravilhosamente bem e na volta paramos em nossa casinha em São Fancisco Xavier aonde estamos montando um atelier de Design e trabalhavamos num projeto de movelaria que tínhamos para entregar.

 

aguardando o registro dos móveis prontos...

 

Foram dias maravilhosos, de muita tranquilidade.  Paz e alegria pairavam no ar fresquinho da montanha entre estonteantes nascer ou por do sol!!!

Assim passamos uma semana nesse paraíso e voltamos para São Paulo para acompanhar a entrega dos nossos produtos já na véspera do feriado de quinta feira do dia primeiro de maio… e foi aí que começou o tsunami em nossa vida!

Na quarta a noitinha e na quinta assisti uma cena que me deu calafrio… vi meu cão, Sathya, super forte e saudável, um touro como disse um amigo nosso, do nada… dobrar as pernas,  cair e numa fração de segundos ficar de pé assustado sem entender o que estava acontecendo, assim como eu!

 

este selfie foi após o segundo desmaio...

 

Gritei pelo Serginho, meu marido que quando chegou, já o encontrou em pé e com rabinho  abanando, sendo  difícil para ele acreditar no que eu dizia até que aconteceu pela terceira vez na frente dele e assim conseguimos uma consulta no domingo e o levamos para nosso veterinário Dr Aloisio, um grande cientista e Homeopata que ao examina-lo nos deu a pior notícia que poderíamos ter: tumor no cérebro!

 

a caminho do vet, ainda não imaginávamos o que estava por vir...

 

Enquanto o Dr Aluísio falava, eu olhei para o Sathya e nossos olhares se encontraram profundamente num imenso pesar e assim eu comecei a chorar silenciosamente sem me mover e sem prestar mais atenção no que o veterinário falava… pois nós dois ali, naquele momento, naquela troca de olhares  sabíamos que a morte estava presente e era apenas uma questão de tempo para ela o levar embora!

Só não sabia que iria ser tão rápido, pois depois daquele domingo só tivemos mais um domingo com ele, dia das mães e na segunda feira às 14;15hrs ele morreu junto a mim enquanto eu entoava Mantras em seu ouvido e ou o buscava  em seus olhos já partindo.

 

os últimos mantras...

 

Em uma semana, o perdi… para sempre!

Foi uma semana que começou muito triste mas nossa energia mudou quando decidimos pelo tratamento alternativo de ampolas que viriam de Ribeirão Preto.

Nossa boa amiga  Cecília, que  acabávamos de visitar em Muzambinho  nos ligou e nos ajudou a encontrar um eixo de harmonia no caus que estávamos passando…

Encontrei motivação em dar a melhor vida possível para ele, enquanto estivesse vivo, também acreditei que enquanto existia vida, existia esperança e assim fizemos…  caminhamos todos os dias com ele, a família toda, nós quatro,  juntos! Cozinhei para ele… tratamento alternativo sem efeitos colaterais dolorosos e destrutivos.

Como ele estava começando a ficar inapetente, eu cozinhava e ele amava… aproveitei cada minuto de sua presença gostosa. Deixei de lado o escritório, já que não conseguia mesmo fazer nada a não ser as urgências, perdi um trabalho importante de um cliente antigo que não entendeu meu momento… nada me tocava, apenas a vida do meu amado boxer branco que parecia bem e muito mais feliz que no domingo fatídico.

A semana voou e na quinta feira tive que sair para reuniões fora e quando voltamos, fomos recepcionados como sempre acontecia, com o Sahtya e o Shanti na garagem, felizes por nossa chegada. O Sathya pulava de alegria e torcia a bundinha de felicidade… assim, colocamos uma roupa confortável e saímos para dar um passeio com eles. A noite estava agradável, cheia de estrelas e demos uma volta menor pela vizinhança e quando estávamos voltando, já pertinho de casa eu percebi que ele estava muito cansado e sua pata direita começou a falhar… chegamos e fomos para varanda… nos jogamos num sofá super confortável, aonde o  Sathya sempre adorava deitar junto de nós!!! Mas eu observei que naquele momento ele já não estava bem e percebi que havia alguma coisa que o incomodava… parecia ansioso!

Fomos para cozinha fazer uma comida gostosa para ele… fiz um frango com ervas e batatas com arroz mole que ele sempre amou. Ele não tocou no prato e nem mais abanava o rabo andando de um lado para o outro quando nossa filha Manuela chegou e assim que ele ouviu sua voz, foi como um milagre, seu rabo começou a abanar e com alegria ele comeu toda a comida que ela ofereceu na  sua boca com colher.

Raspou todo o prato e ficou contente novamente, que alegria!!!!

Quando a Manuela se foi e subimos para nosso quarto para dormir aconteceu uma coisa muito estranha… ele não deitava, nem sentava e ficava andando com olhar perdido pelo quarto sem ouvir nossos comandos. Parecia que não nos conhecia mais e ficava respirando fortemente como se estivesse exausto com a língua para fora e assim foi a noite inteira… estávamos exaustos e por isso nos revezamos, primeiro o Serginho desceu com ele e depois fui eu. Quando desci para nosso living que tem portas de vidro que nos mostra a natureza plena, resolvi  ascender  as luzes do jardim que iluminou a sala suavemente e assim pude observa-lo, que  parecia se sentir melhor do que no escuro, já que continuava acordado daquela mesma maneira que descrevi acima…

Como é desesperador ver alguém que amamos tanto, sofrendo, sem poder fazer nada para ajudar !!

Percebi que a minha única alternativa era  aceitar a situação e apenas o observar em silencio… e assim foi até que tive a idéia de falar alguma coisa que ele amava  ouvir, e então eu disse bem alto e entusiasmada, exatamente como eu fazia quando  estávamos arrumando o carro para  as nossas viagens para as montanhas…

Vamo viajááááá??  Pa São  Franciscooooooo!!!! numa entonação costumeira de alegria de criança… e nesse exato momento ele  se virou e me olhou docemente abanando seu rabinho… assim, veio ao meu  encontro até o sofá e se sentou aos meus pés se encostando em mim,  pediu carinho!!!

Chorei de emoção, de amor, de alívio, de alegria em silencio enquanto o acariciava e assim ficamos por alguns minutos… Eu estava completamente exausta mas ele ainda não conseguia deitar a cabeça e dormir então tive outra idéia.

Lembrei que quando ele era praticamente um bebê e até mais tarde eu amava cantar cantigas clássicas de ninar e vê-lo amolecer caindo no sono, então foi isso que fiz… meus olhos escorriam lágrimas como enxurradas enquanto eu observava sua Cabecinha linda se deixar acomodar sobre suas patas e seus olhos se  fecharem num sono ainda frágil e suave… enquanto eu cantarolava Frere jack !!!

Amanhecia o dia e caímos nos sono nós dois juntos, eu no sofá e ele aos meus pés no tapete quando Serginho chegou…

Assim trabalhei dia todo em casa com Mozart, antigo e querido parceiro na tapeçaria e depois, mais tarde no computador ali mesmo na sala com ele que dormia e acordava sempre me olhando, me reconhecendo mas nada mais queria comer.  Só bebia água!

Ficamos animados pois as ervas chegaram pelo Sedex e iniciamos o tratamento das injeções que o Sergio mesmo aplicou. Dr Aluisio estava em viagem no Amapá a trabalho e só voltaria na terça feira, porém,  poderíamos nos comunicar com ele por celular.

Durante a noite de sexta para sábado, ele acordou várias vezes e descia as escadas sózinho cambaleando… atravessava todo o jardim e lá no fundo aonde sempre fazia suas necessidades, com dignidade se esvaia em diarréia e vômitos assistidos pelo Serginho que o trazia de volta para nosso quarto no colo… e assim foi por toda a noite.

Quando finalmente ele dormiu já estava amanhecendo e nenhum de nós dois conseguíamos falar… só chorar!

Sergio desceu para providenciar o café da manhã e eu fiquei no quarto com ele dormindo como um anjo na poltrona grande e confortável que já era de sua propriedade por uso fruto.  Eu estava arrasada e precisava arranjar forças para me levantar e enfrentar a realidade de forma alegre por que era disso que ele ia precisar… e assim, enquanto meu coração apertado pensava…  ouvi uma voz linda, feliz e saltitante nos chamando, as 7:oo hrs da manha, era nossa filha Manuela que chegava para nos salvar… a todos nós!!!!

Então, Sathya acordou mas muito tristonho e quase sem forças e nos olhou docemente…

Descemos para o café da manhã e ele não aceitava nada para comer. O Serginho havia feito uma receita de tutano de frango e no desespero forçou a entrada da comida em sua garganta que achamos que pelo menos assim ele estaria salvo e o levamos para a varanda no sofá com mantas e muito amor!!!

O dia foi passando e enquanto Sathya descansava ao nosso lado, Manu checava pela internet casos de tumor no cérebro em cães que nos arrepiavam até que nosso amado boxer acordou e saiu do aconchego das almofadas e mantas e foi  passear pelo jardim enquanto a Manu o acompanhava suavemente para protege-lo sem que ele se sentisse um doente pois ele estava cambaleando, meio aéreo e mesmo assim insistia em passear em volta da piscina e tomando água como sempre fez .

Porém, de repente… numa segunda sessão de passeio pelo jardim, ele andava entre diarréias e vómitos amarelos que nos desesperou. Todo o tutano de frango se foi… e nossa alegria também!!!!

Liguei para Dr Aluisio e ele me acalmou explicando  que isso eram os efeitos da doença que estava se manifestando mas que o tratamento apenas se iniciara.  Esperanças de volta!!!

Para a diarréia e vômitos, ele  nos receitou alguns remédios de homeopatia que imediatamente começamos a dar as gotas a cada quinze minutos no inicio e íamos aumentando até de uma em uma hora até o dia seguinte… Paramos de forçar comida e a água somente em gelo para ele lamber se sentisse sede.

Ao entardecer nos recolhemos , estava frio, ascendemos a lareira e a Manuela se foi enquanto colocamos uma mesinha próxima ao sofá menor onde ele estava deitadinho quieto mas nos observando com seus olhos atentos. Com  o fogo da lareira nos aquecendo comemos nosso primeiro fondue do ano com enorme pesar tentando ensaiar alegria no ar!!!!

Sathya passou bem a noite e dormiu tranquilamente, sendo acordado por nós de uma em uma hora para tomar os  remédios estavam fazendo efeito, ufa!

Amanheceu o domingo, dia das mães, a Manuela vinha passar o dia com a gente então acordei animada e resolvi fazer minhas rezas no nosso quarto pois assim o Satya que ainda descansava num sono tranquilo poderia aproveitar as boas energias!!!! Desci para nossa sala de meditação e peguei minha Sadhana com  todos os afins e corri para nosso quarto  ascendendo  um incenso tibetano delicioso, iniciei minhas orações que  finalizei com mantras do Buda da medicina quando a Manuela chegou com seu entusiasmo e alegria contagiante.

Descemos para nosso café da manhã especial de dia das mães na copinha e o Sahtya desceu as escadas sózinho se ajeitando na sua poltrona de flores, com energia renovada!!! Ele realmente parecia muito melhor…

Ficamos muito animados e achamos que já era o tratamento que estava começando a surtir efeitos.

O dia foi passando gostoso e para nossa alegria Sathya estava muito melhor apesar de ainda inapetente, parou de vomitar e seu intestino se estabilizara.

Voltou a se comunicar fazendo pequenas coisas que sempre fizera e quando saímos para varanda ele também se levantou do puf do sofázinho que costumava ficar dormindo e veio se juntar a nós!!!!

Momento mágico para todos, Manuela pegou um cobertor para ele deitar que para nossa feliz surpresa, antes de faze-lo ficou girando e afofando com as patas o lugar que ele queria se aconchegar  como sempre fazia!!!

Estava saindo da apatia que o havia dominado e parecia contente por isso.

Ao cair da tarde, resolvemos entrar pois o frio se anunciava e a sala já com a lareira acesa nos chamava com seu aconchego familiar, que delícia!!!

Tudo parecia perfeito e por algumas horas esquecemos a realidade do que estávamos vivendo,  sonhando naquele momento presente com a cura do nosso amado cão.  Entre risos alegres com as graças do Shanti, nosso golden e amigo fiel do Sathya  que trazia o jornal para Manuzinha, eu colocava a mesa do almoço tardio ao som de Chopin enquanto trocava olhares com os olhos atentos a tudo do nosso boxer branquelo que descansava no sofázinho que ele mesmo rodopiou novamente para encontrar o melhor lugar… ele sempre foi independente e sabia exatamente o que queria.

Felizes…. sentamos a mesa com um almoço  super especial e delicioso que Serginho e Manuela cozinharam para mim, afinal, era dia das mães!!!!

As vezes… me pego sonhando com aquele almoço… que do meu lugar eu podia enxerga-lo deitado mas com a cabecinha levantada nos olhando atentamente!

últimas caminhadas...

 

Manuzinha cuidando dos "passeios" pelo jardim...

 

a chegada a Muzambinho!!!

 

dia das mães!!

 

visitando a Ouse e Use em Juruaia... com a tia Cecilia e Nuvem!

 

descansando na Cecília Machado Bags & Rugs...

 

caminhando...

 

em família no dia das mães!!

 

Com amor,

Neza

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segunda-feira, 24 de março de 2014

“A Ignorancia é a causa de todos os enganos “

Esta frase, me pegou :  ” A ignorância é a causa de todos os enganos”  do livro de frases , A Sabedoria Afiada de Kalden Rimpoche.

Um livro de frases que ensinam para aqueles que querem aprender.

Estava eu aqui pensando como essa frase é profunda, complexa e cheia de metáforas…

Mais do que nunca percebo que uma das melhores maneiras de sairmos dos enganos e da ignorância é a gente se analisar.

Começando por, diariamente; depois por, a cada acontecimento do dia que nos desestabiliza; depois a toda hora e finalmente a cada minuto.

No começo é como se a gente estivesse começando a dirigir um carro que precisamos pensar em que marcha vamos colocar agora, em que momento é a hora da segunda ou terceira marcha…. e que depois, tudo vem naturalmente.

Eu estou amando me observar e é interessante por que quando a gente se observa de verdade, chega a ser doloroso e cruel olhar para nossa natureza e enxergar nossas fraquezas mas pior que isso , é ver como nós lidamos com elas.

Enfim, como é bom parar de viver `a mercê das emoções e começar a pular encima delas !!!

Ficar no comando e olhar para nós mesmos com amor e compaixão!

Olhar para nossas fraquezas, como por exemplo a raiva e aplicar o melhor antídoto para ela, a paciência, abre um canal de luz e alívio imediato!

E assim começamos a olhar para o outro com os mesmos olhos aprendendo a re conhecer qual a natureza do outro e respeitar.

Afinal ninguém muda ninguem e a auto- transformação  já nos toma todo  tempo nessa vida que é um sopro…

Estou aproveitando muito a experiência de examinar a minha natureza por que assim percebo que tudo que preciso está dentro de mim, mesmo as fraquesas, que posso transforma-las se eu tiver a decisão.

Outra fraqueza de nós, seres humanos e que pega todo mundo é o orgulho e nos blinda.

Esse é o pior por que blindados, perdemos a sensibilidade de enxergar nossa própria natureza e assim carregamos essa fraqueza por toda nossa vida.

Eu acho tão triste ver uma pessoa já com a idade bem avançada e ainda orgulhosa e sem sabedoria, triste por que elas estão blindadas e nem percebem… e vão levar isso para a hora da morte.

Então, enquanto estamos vivos e com energia a saída para nos livrar de nossos medos e angústias é o auto- conhecimento profundo. Digo profundo por que vejo por aí… nas redes sociais, lindas frases que as pessoas ” Curtem” e depois de curtir?

Será que as aproveitam para sua própria saúde mental e espiritual ? ou vão passando e curtindo tudo sem ficar nada? Como cachorro que após tomar uma chuva se sacode e nada fica!!!!

É só perceber, é só estar atento. Mas se você está atento só a diversões, como é que você vai estar atento a realidade?

Por que daí você começa a desenvolver responsabilidade de si mesmo… Viver aqui e agora!

Sentar e saber que está sentado, comer e saber que está comendo,andar e saber que está andando!

 

 

 

 

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domingo, 2 de março de 2014

Simplicidade

Cada dia mais uma  certeza vai se apresentando na minha vida através das experiências e uma delas é a certeza de que a simplicidade trás com ela a felicidade.

Porém, tenho que admitir que a simplicidade não é tão simples e  concordo com Leonardo Da Vinci que a simplicidade é o mais alto nível da sofisticação!

Para viver a simplicidade tem que se ter vivido a complexidade e a arte nasce aí…  a arte é uma criação sem compromisso, a arte apenas é, como a simplicidade.

Ser simples não é ser simplório.

Ser simples é uma atitude que nasce no coração do intelecto.

 

De uma simples embalagem de cândida e uma bacia de ágata nasce um vaso de flores- arte conceitual.

 

De um brinquedo vintage, anos 50, acomodado numa caixa de acrílico nasce um objeto de arte conceitual- Toy Art

 

 

Ambiente com misturas de móveis de Design e clássicos repaginados com olhar afiado na arte e no garimpo de peças únicas. Misturar antiguidade, design e peças simples com olhar apurado.

 

 

Jarra de prata antiga usada como vaso.

 

 

Garrafas de vinho verde usadas como vaso solitário.

 

 

Peça de design Philippe Starck, ágata e cerâmica pintada a mão.

 

 

Garrafas de vinho branco usadas como castiçal misturadas a um candelabro de cristal.

 

 

Uma tela acadêmica catalogada misturada a pequenos tesouros garimpados em feirinhas e livros de arte,alem de um leque comprado nas calçadas de Barcelona.

 

 

 

Bule herdado da minha mãe e usado como vaso de flores, rosas que eram suas flores prediletas!

 

 

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